quarta-feira, 10 de junho de 2015

IMPULSIVIDADE















Estou realizando um trabalho sem fins lucrativo, tipo uma pesquisa de campo com intuito de levantar algumas informações que serão utilizadas num futuro breve.

Para colher esses dados estou realizando visitas residenciais 4 vezes por semana. Imaginem um estranho durante a tarde batendo sua porta? Isso mesmo! Há pessoas bem receptiva e outras que não estão afim de papo. Tá sendo assim meus dias durante a semana.

Vejo como um desafio e estou começando a gostar da coisa: primeiro, encontramos diversos tipos de personalidades; segundo estou adquirindo um aprendizado excepcional através do universo de pessoas que encontro todos dias.

Hoje não poderia ser diferente, mas uma coisa me chamou atenção no encontro. Após abordagem fui convidado gentilmente pra entrar numa casa no bairro do Salgado (localidade muito popular da Cidade de Caruaru / PE). Passei minha identificação e falei dos motivos que estava contatando as pessoas daquela localidade. 

Apos apresentações, começamos colocando os assuntos a cerca das necessidades daquele lar e quais as dificuldades em acesso mais precisamente aos assuntos que envolvia a justiça... Impressionante todos ( grupo composto: de uma criança no colo de uma senhora, três travestis e outra mulher) estavam com processos envolvendo tráfico de drogas, o marido e o filho da dona da casa estavam cumprindo pena por trafico. O filho foi o primeiro a ser preso aos 18 anos, hoje com 26 anos. Mas o que me chamou atenção foi a inteligência afetiva do grupo, que por estarem passando por dificuldades diversas e principalmente envolvendo processos criminosos, nada nesse mundo causaria desanimo a eles e mesmo diante dessas ocorrências todas, vivem se ajudando mutuamente como forma de juntarem uma renda e dividirem despesas. Todos de sorriso estampados e aguardando por dias melhores, falavam sem exitar da esperança por melhores dias.

Embora me passaram que todos tinham disciplina para enfrentar um trabalho, demonstraram que também são impulsivos, não suportariam demorar muito tempo em um negócio ou projeto e quando ficavam entediados começavam a procurar por outras oportunidades. Evidenciei também que os travestis por serem pessoas sem amparo familiar e financeiro sofriam muito com o preconceito, distanciando-os das poucas oportunidades que surgiam.


Enfim! Pela forma receptiva, educação e o carinho que transmitiram, constatei que o comportamento desse grupo é seu maior inimigo e se não mudarem esses tipos de comportamentos irão passar o resto da vida em busca da butija enterrada. Além de serem pessoas sem acesso a informações a cerca de justiça e um assistencialismo social – nota-se pelo tempo que seu filho esta preso, sem uma revisão processual, bom comportamento etc – suas limitações fatais são falta de auto-controle e necessidade por mudança. É possível que fatores como suas aptidões, sua formação acadêmica possa definir até onde você chegará na vida, mas temos nossas limitações e caso seja possível identificar quais são essas limitações pessoais e em seguida trabalhássemos para nos libertar e onde se encontra e como estão afetando agente(FLIPPEN 2015), não estaríamos vivenciando a perda de potencialidades por esse mundo à fora. 

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